segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sem rede...


Bastaria um abrir de mão e deixá-lo-ia voar...
Mas é aqui, do lado esquerdo do peito que o preciso. Aqui, onde me aquece o corpo e me mantém a vida. Aqui!
Sossega coração… Não queiras voar tão alto…
Não vão as asas quebrar-se e despedaçares-te no chão…

Se eu fosse Deus, teria posto, ouvidos no coração!

3 comentários:

Eu disse...

Prendia o coração
Sem asas
Na palma da mão
Se soubesse que o davas

Não o deixava cair ao chão
Guardava-o em sitio seguro
Seria com emoção
que seguirias para o futuro

Composto para uma menina linda

Eu disse...

Dizes que não tem ouvidos?
Eu acho que ele nos escuta
Mas não quer obedecer
Deve ter as suas razões

Eu disse...

Sossega, coração!
Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.


Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!


Sossega, coração, contudo!
Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.


(Fernando Pessoa)