Foto: GoogleEla continuava sobrevivendo... lutando contra a vastidão do nada em que se encontrava.
Havia perdido definitivamente a leveza!! Uma leveza que a dúvida já açoitara e à qual imprimira indeléveis cicatrizes... Aquela leveza em que havia flutuado e que lhe tinha mostrado o caminho do céu (do lado de cá do céu...). Sentia-se agora pesada, como se nos seus ombros pousassem invisíveis e monstruosas criaturas.
Pensou pôr, na secção de perdidos de um qualquer jornal, um anúncio dizendo: "Perdeu-se... o sorriso dos lábios e o brilho dos olhos, pede-se a quem souber do seu paradeiro..." , mas deteve-se no pensamento. Sabia exactamente onde os tinha perdido, e havia que resgatá-los, não porque fossem belos... mas porque precisava deles!!
Fez uma viagem ao centro de si, mergulhou nos sentimentos, prescrutou cada canto do que lhe sobrava, e encontrou... encontrou a porta em cujo centro se lia (em letras bem delineadas sobre uma placa de ouro) a seguinte inscrição: "Porta para a Esperança".
Entrou, muniu-se de toda a fé que conseguiu agarrar com as suas mãos feridas, pousou-a no coração, e voltou a sair de si.
Foi amiga... dedicada... paciente... e esperou... Sabia que as sementes de fé resultariam numa árvore de esperança!
Voltou a acreditar... E acreditar era o primeiro passo!! Repôs o sorriso nos lábios e o brilho nos olhos. Descobriu a ponta do novelo da leveza e tentou trazê-lo até si...
Foi amiga, foi amante, riu, brincou, beijou, abraçou o mundo... A vida voltara a ser mãe... tinha valido a pena!!!
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Meu Deus... porque lhe era tão familiar aquela sensação??
De novo a paralisia dos músculos, a queimadura por dentro...
De novo a espiral de luz, o calor das chamas...
De novo um tempo sem tempo, um rio no rosto...
De novo o despertar... dos que sobrevivem!!
Tinha sido disparado o segundo tiro... no jogo da Roleta Russa.
(Setembro 2007/Fevereiro 2008)